O computador que você usa hoje é resultado de mais de setenta anos de evolução — e essa história está longe de terminar. Há poucas décadas, processadores com múltiplos núcleos nem existiam; voltando ainda mais no tempo, as primeiras máquinas de computar ocupavam salas inteiras e pesavam toneladas. Entender esse caminho ajuda a dimensionar o quanto a tecnologia avançou em tão pouco tempo.

Os primeiros computadores surgiram ainda no início dos anos 1950. Eram máquinas muito diferentes das atuais, mas já capazes de realizar cálculos complexos em velocidade impressionante para a época. Ao longo dessas décadas, componentes inteiros desapareceram e novas tecnologias tomaram seu lugar — a ponto de parecer que estamos falando de equipamentos completamente diferentes entre si.

Para organizar essa trajetória, especialistas costumam dividir a história da computação em gerações, cada uma marcada por um salto tecnológico específico. É esse percurso que vamos percorrer a seguir.

Primeira geração: os gigantes a válvula

Imagine precisar de uma sala inteira só para guardar um computador. Foi exatamente assim que nasceram máquinas como o ENIAC e o UNIVAC: gigantescas, dedicadas a resolver problemas de cálculo bem específicos.

Isso acontecia porque não existia ainda uma linguagem de programação padronizada. Cada máquina tinha sua própria lógica de funcionamento e, para executar uma tarefa diferente, era preciso reconfigurar fisicamente boa parte do equipamento.

No lugar de microprocessadores, essas máquinas usavam milhares de válvulas eletrônicas — componentes que amplificavam e comutavam sinais elétricos, funcionando como um interruptor: aceso ou apagado, cada válvula representava uma instrução. O problema é que elas queimavam com facilidade: estima-se que cerca de 19 mil válvulas precisavam ser trocadas por ano em cada máquina, um número que, sozinho, já superava a quantidade total de componentes do ENIAC. Resultado: equipamentos caríssimos de manter.

Segunda geração: o transistor encolhe a máquina

O custo de manutenção das válvulas tornava aquelas máquinas gigantes pouco viáveis financeiramente. Era preciso substituí-las por algo menor e que gerasse bem menos calor.

A resposta veio com o transistor, desenvolvido em 1947 pelos laboratórios Bell, fabricado a partir do silício — o mesmo material, extraído da areia, que segue presente em praticamente todo componente eletrônico até hoje.

A troca trouxe ganhos em várias frentes: os computadores dessa geração chegaram a ser cem vezes menores que os da primeira, além de consumirem bem menos energia e custarem menos para produzir. A programação também evoluiu, com a linguagem Assembly substituindo os comandos diretos de máquina — uma linguagem, aliás, ainda usada hoje em contextos bem específicos de desenvolvimento de hardware.

O contraste de peso é o que melhor ilustra o salto: enquanto o ENIAC pesava cerca de 30 toneladas, o IBM 7094 — um dos modelos de maior sucesso da época — pesava pouco menos de 900 kg, e ainda assim vendeu mais de 10 mil unidades.

Curiosidade: computadores dessa geração foram inicialmente pensados para atuar como sistemas de controle em usinas nucleares — um cenário parecido, inclusive, com o posto de trabalho do personagem Homer Simpson na animação "Os Simpsons".

Terceira geração: a era dos circuitos integrados

O avanço seguinte veio com os semicondutores — materiais como o silício, que conduzem eletricidade melhor que um isolante, mas pior que um condutor puro. Essa característica permitiu ganhos relevantes de velocidade e eficiência, possibilitando executar mais tarefas em menos tempo.

Foi nessa geração que teclados e monitores passaram a fazer parte do equipamento, ainda que exibindo apenas sistemas operacionais bastante rudimentares, sem qualquer semelhança com as interfaces gráficas atuais.

Apesar dos avanços internos, o tamanho físico não diminuiu tanto: o IBM 360, um dos modelos mais vendidos da época (mais de 30 mil unidades), chegou a pesar mais que seus antecessores. Ainda assim, entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1980, os preços começaram a cair, tornando os computadores mais acessíveis — inclusive com a novidade de permitir upgrades, algo impensável nas gerações anteriores.

Quarta geração: o microprocessador e o computador pessoal

Chegamos à geração que deu origem aos computadores como conhecemos hoje. Batizados de "microcomputadores", esses equipamentos pesavam menos de 20 kg — um salto e tanto de portabilidade, viabilizado pelo microprocessador: um único chip concentrando controle e processamento.

Os primeiros processadores nesse formato surgiram em 1971, mas só na metade da década é que os primeiros computadores pessoais chegaram ao mercado. O Altair 8800, vendido até como kit de montagem em revistas especializadas nos Estados Unidos, foi a base sobre a qual Bill Gates e Paul Allen desenvolveram a linguagem BASIC — o ponto de partida da Microsoft.

A entrada da Apple

Na mesma época, Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a Apple com o objetivo de criar computadores pessoais acessíveis a usuários leigos. O primeiro projeto, o Apple I, foi oferecido inicialmente à HP — que recusou. Veio então o Apple II, viabilizado por um aporte de 250 mil dólares da Intel.

Essa segunda máquina rodava uma versão adaptada do BASIC (também desenvolvida pela Microsoft) e trouxe algo até então raro: interface gráfica para alguns programas, além de suporte a processadores de texto, planilhas e bancos de dados. Pouco depois, a Apple também popularizou o mouse e os sistemas operacionais gráficos, como o Macintosh — resposta que a Microsoft deu pouco tempo depois com a primeira versão do Windows.

Dos ciclos aos clocks

Até a terceira geração, a velocidade de uma máquina era medida em ciclos — contando quantas operações aconteciam num intervalo curto de tempo. Com os microprocessadores, essa forma de medir deixou de fazer sentido, dando lugar à medida em clocks: o número de ciclos de processamento executados em um segundo. Um chip de 1 MHz, por exemplo, realiza 1 milhão desses ciclos por segundo.

Boa parte dos computadores pessoais dessa época usava processadores da Intel — a mesma empresa que, anos depois, produziria chips como o Core i7. Mais leves e compactos, esses equipamentos abriram caminho para o próximo capítulo da portabilidade.

Notebooks: a portabilidade da quarta geração

Se o avanço da informática pode ser medido pela redução do tamanho dos componentes, era questão de tempo até os computadores se tornarem portáteis. Os primeiros notebooks surgiram como itens de luxo — caros e pouco acessíveis, assim como os computadores de mesa haviam sido poucos anos antes.

Ao lado deles, surgiram também os netbooks: mais simples e com configurações mais modestas, mas com vantagens claras em portabilidade e autonomia de bateria. Hoje, levar arquivos e programas para qualquer lugar custa praticamente o mesmo que um desktop equivalente — e o mercado ainda não parece ter atingido seu limite.

Múltiplos núcleos: a quinta geração?

A quinta geração de computadores é associada à ideia de inteligência artificial e marca avanços expressivos em capacidade de processamento, taxas de transferência e armazenamento — ao mesmo tempo em que o espaço físico necessário continuou encolhendo.

Com máquinas mais baratas e compactas, o computador pessoal ("PC", de Personal Computer) chegou às casas das pessoas em escala nunca vista. Um dos avanços centrais dessa fase foi o processamento paralelo: em vez de um único núcleo cuidando de tudo, múltiplos núcleos dividem o trabalho e reduzem o tempo total de execução das tarefas.

Processamento verde

Quanto mais tarefas um computador executa, mais energia ele consome — e reduzir esse impacto, sem abrir mão de desempenho, virou prioridade para os fabricantes de chips. Foi assim que nasceu o conceito de "processamento verde".

Processadores como os da família Intel Core Sandy Bridge, e depois Ivy Bridge e Skylake, adotaram microarquiteturas mais enxutas, reduzindo o consumo elétrico sem perder eficiência. O cuidado ambiental também apareceu no processo de fabricação: notebooks passaram a usar telas de LED, bem menos poluentes que os LCDs tradicionais.

Ainda não se sabe ao certo quando (ou se) surgirá uma sexta geração de computadores, nem se a inteligência artificial já representa esse próximo salto. O que fica claro, olhando para trás, é o quanto o ser humano segue trabalhando para tornar suas máquinas cada vez melhores.

Há sessenta anos, quem imaginaria carregar um computador dentro de uma mochila? E, hoje, quem imaginaria que era preciso um vagão de trem para transportar um único equipamento? Atualmente, até smartphones de bolso superam a capacidade de processamento de netbooks inteiros.

E você, o que acha que vem a seguir nessa evolução?